As canoas do projeto Alma Caiçara, da APAE de Ilhabela, foram apresentadas na sala de exposições do Parque Municipal Fazenda Engenho D’Água na última terça-Feira (31). Durante a abertura, o coordenador regional da Unesco visitou a exposição para conhecer o projeto de perto. O evento contou com a presença de atendidos, da equipe do Centro de Convivência e de representantes do museu, promovendo um momento de troca e reconhecimento do trabalho realizado.

A iniciativa foi inspirada na exposição “Canoa Caiçara”, do IlhaMuseu, e idealizada pela diretora de Patrimônio Histórico e Cultural da Prefeitura de Ilhabela, Eloiza Lourenço dos Santos. Após visitar o Centro de Convivência, Eloiza enxergou no projeto uma oportunidade para ampliar o diálogo entre os atendidos e o público visitante. A mostra permanecerá aberta à visitação por tempo indeterminado.

Exposição é resultado do trabalho desenvolvido pela APAE

O Centro de Convivência da APAE de Ilhabela criou o projeto Alma Caiçara a partir da observação do cotidiano. Nesse processo, foram recolhidas sementes de espatódia, conhecidas como “tulipa africana”, que foram transformadas em pequenas canoas junto aos assistidos.

A proposta envolveu cerca de 30 participantes, com idades entre 30 e 60 anos, sendo conduzida de maneira cuidadosa, respeitando o tempo e as particularidades de cada um. O trabalho foi adaptado para que todos pudessem participar ativamente da Construção das peças, assegurando que cada canoa refletisse as experiências de quem a produziu.

Materiais reaproveitados foram incorporados à atividade, promovendo discussões sobre o uso consciente dos recursos e a valorização do que frequentemente é descartado. O projeto também permitiu que as histórias e vivências dos atendidos fossem evidenciadas, especialmente considerando que muitos possuem vínculos diretos com a cultura caiçara.

Um dos momentos marcantes do projeto foi a contribuição de João Paulo, um dos atendidos, que sugeriu o uso de cores nas canoas e ajudou a nomeá-las, inspirado nas Praias do Norte da ilha. Esse conceito veio de uma lembrança sobre como, no passado, os caiçaras supostamente identificavam suas embarcações. As conversas geraram risadas e garantiram a interação e o envolvimento do grupo durante toda a atividade, conferindo mais significado ao trabalho.

A etapa final contou com a colaboração da instrutora de Artesanato Regina Libarino e da monitora Gabriela Moura, experiente na pintura de canoas caiçaras. A presença delas garantiu a adaptação de cada pintura e a conclusão das peças, de forma que todos os atendidos finalizassem a atividade, independentemente de limitações físicas ou cognitivas. O resultado foi um conjunto de trabalhos que expressa a criatividade e as referências culturais do cotidiano de cada participante.

Sobre o projeto Alma Caiçara

O projeto foi desenvolvido pela equipe do setor social da APAE de Ilhabela e idealizado pela instrutora de artesanato Regina Libarino, pela monitora Gabriela Moura e pela coordenadora Milena Braga, com o suporte da psicóloga Beatriz Rosales. Mais do que uma atividade manual, o trabalho se transformou em um momento de convivência, escuta e construção conjunta, onde cada detalhe carrega um pouco da história de quem participou. A iniciativa valoriza as trajetórias individuais e confere um novo significado ao que antes seria apenas uma casca de semente.

Imagem: Prefeitura de Ilhabela

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Última atualização: 07/04/2026 às 21:00