A iniciativa foi inspirada na exposição “Canoa Caiçara”, do IlhaMuseu, e idealizada pela diretora de Patrimônio Histórico e Cultural da Prefeitura de Ilhabela, Eloiza Lourenço dos Santos. Após visitar o Centro de Convivência, Eloiza enxergou no projeto uma oportunidade para ampliar o diálogo entre os atendidos e o público visitante. A mostra permanecerá aberta à visitação por tempo indeterminado.
Exposição é resultado do trabalho desenvolvido pela APAE
O Centro de Convivência da APAE de Ilhabela criou o projeto Alma Caiçara a partir da observação do cotidiano. Nesse processo, foram recolhidas sementes de espatódia, conhecidas como “tulipa africana”, que foram transformadas em pequenas canoas junto aos assistidos.
A proposta envolveu cerca de 30 participantes, com idades entre 30 e 60 anos, sendo conduzida de maneira cuidadosa, respeitando o tempo e as particularidades de cada um. O trabalho foi adaptado para que todos pudessem participar ativamente da Construção das peças, assegurando que cada canoa refletisse as experiências de quem a produziu.
Materiais reaproveitados foram incorporados à atividade, promovendo discussões sobre o uso consciente dos recursos e a valorização do que frequentemente é descartado. O projeto também permitiu que as histórias e vivências dos atendidos fossem evidenciadas, especialmente considerando que muitos possuem vínculos diretos com a cultura caiçara.
Um dos momentos marcantes do projeto foi a contribuição de João Paulo, um dos atendidos, que sugeriu o uso de cores nas canoas e ajudou a nomeá-las, inspirado nas Praias do Norte da ilha. Esse conceito veio de uma lembrança sobre como, no passado, os caiçaras supostamente identificavam suas embarcações. As conversas geraram risadas e garantiram a interação e o envolvimento do grupo durante toda a atividade, conferindo mais significado ao trabalho.
A etapa final contou com a colaboração da instrutora de Artesanato Regina Libarino e da monitora Gabriela Moura, experiente na pintura de canoas caiçaras. A presença delas garantiu a adaptação de cada pintura e a conclusão das peças, de forma que todos os atendidos finalizassem a atividade, independentemente de limitações físicas ou cognitivas. O resultado foi um conjunto de trabalhos que expressa a criatividade e as referências culturais do cotidiano de cada participante.
Sobre o projeto Alma Caiçara
O projeto foi desenvolvido pela equipe do setor social da APAE de Ilhabela e idealizado pela instrutora de artesanato Regina Libarino, pela monitora Gabriela Moura e pela coordenadora Milena Braga, com o suporte da psicóloga Beatriz Rosales. Mais do que uma atividade manual, o trabalho se transformou em um momento de convivência, escuta e construção conjunta, onde cada detalhe carrega um pouco da história de quem participou. A iniciativa valoriza as trajetórias individuais e confere um novo significado ao que antes seria apenas uma casca de semente.
Imagem: Prefeitura de Ilhabela