Aumento da Participação Feminina na Vela em Ilhabela
A 53ª Semana Internacional da Vela de Ilhabela tem atraído centenas de embarcações e, neste cenário, um movimento crescente se destaca: a participação feminina nas regatas.
As mulheres estão conquistando espaço em equipes exclusivamente femininas, misturadas ou em projetos que visam formar novos velejadores. Esse fenômeno quebra tradições em um esporte historicamente dominado por homens.
Equipe Bora Bora: Uma Nova Geração de Velejadoras
Um exemplo notável é o time Bora Bora, formado por amigas que compartilham a paixão pela vela. Embora se reúnam há quatro anos, muitas já navegam juntas há mais tempo, inclusive no veleiro Jazz, da velejadora Valéria Ravani.
Segundo Daniela Sanchez, responsável pela equipe, o grupo surgiu do desejo de competir novamente com amigas. “Sentíamos falta de velejar juntas”, destacou.
Apesar de participarem ativamente da Copa Mitsubishi e de realizar treinamentos, Daniela reconhece que a rotina de trabalho e a vida familiar dificultam a continuidade da equipe. “Conciliar tudo isso é desafiador”, afirmou.
Ela também ressalta a importância de patrocínios para renovar Equipamentos e promover oportunidades para velejadoras com menos experiência.
O Crescimento da Presença Feminina nas Regatas
A equipe Bora Bora observa um aumento na presença feminina nas regatas nos últimos anos. Daniela menciona o crescimento de mulheres como comandantes em equipes mistas e prevê que mais tripulações femininas surjam nas próximas edições. Além disso, algumas regras de competições incentivam a participação feminina.
Isabela Malpighi lidera a equipe, escolhida por sua vasta experiência na vela e pelo seu papel como referência técnica. Ela é medalhista pan-americana e contribui significativamente para o desempenho do time.
Iniciativas que Incentivam Novas Velejadoras
Além das competições, projetos que visam formar novos velejadores também estão em ascensão. Um deles é o “Ela na Vela”, criado em 2024 após a velejadora Marina Bidoia receber um convite para treinar mães de alunos da Escola Social Náutica de Ilha Grande.
Marina percebeu que muitas pessoas que acompanhavam as regatas nunca tinham tido a chance de velejar. Desde o início, mais de 60 pessoas participaram das atividades, que são conduzidas exclusivamente por mulheres, com a inclusão da velejadora Renata Bellotti no projeto em 2025.
Com mais de 10 mil milhas náuticas navegadas, Marina também conquistou o primeiro lugar na categoria ORC da regata Ubatuba–Ilhabela e o Troféu Fita Azul.
Durante a Semana Internacional da Vela deste ano, o “Ela na Vela” fará uma ação em parceria com a Prefeitura de Ilhabela, levando visitantes a acompanharem as regatas em uma escuna com orientações sobre o evento.
Desafios e Oportunidades no Esporte
Para Marina, os desafios enfrentados pelas mulheres na vela são similares aos encontrados em outras áreas. Ela acredita que a modalidade ainda é pouco acessível devido a custos e à necessidade de tempo para treinamento, mas nota mudanças positivas.
Time Bossa Nova: Formando Novas Gerações
Outra iniciativa relevante é o Time Bossa Nova, liderado pela velejadora Valéria Ravani. Participando da Semana Internacional da Vela desde 2000, ela compete com o Bossa Nova desde 2023, reunindo amigos e alunos da Escola de Vela de Ilhabela.
Valéria destaca que a participação de meninas na vela sempre existiu, mas as oportunidades nem sempre são as mesmas. “As meninas enfrentam desafios semelhantes aos meninos, mas frequentemente recebem menos chances”, afirmou.
A mensagem de Valéria para as aspirantes a velejadoras é de encorajamento: “O mundo está cheio de preconceitos de gênero, mas não se deixe levar. Você pode praticar o esporte que desejar.”
A presença crescente de equipes como Bora Bora e Bossa Nova, aliada a projetos como o “Ela na Vela”, mostra que a vela está se tornando mais acessível e representativa. Essas iniciativas ajudam a criar um espaço para que todos possam explorar o mar.
Redação/Tamoios News